sábado, 13 de outubro de 2012



Abraçaram-me
por trás.
Na nuca, um hálito frio,
tumular.
Envolvida por tentáculos de sombras aliciando minha cintura,
Espreitando os botões de minha camisa.
Entrega.
Seios preenchendo mãos,
emoldurados por algodão esfolado.
Intumescência.
Suspiro composto
De excitação e angústia.
Dedos frios deslizando como
Água em direção ao delta e no
Ouvido palavras doloridas de
um amor confuso.
Alucinante busca pelo gozo,
um momento de ápice:
totalidade.

 
Tocada pelo desespero.

 
(Chorei.)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Hábito alimentar

A verdade é que não possuo paladar, se o tivesse viveria de maneira mais comedida, apreciando todos os seus sabores, dos mais doces ao mais amargos. No entanto, minha gula perante o mundo torna-me faminta, e me satisfaço gastando meus dias a ouvir músicas sem me emocionar com letras ou melodias; a ler livros numa velocidade absurda, sem me apegar a autores ou personagens; a ter passagens curtas pela vida dos que me rodeiam. Sou uma esfomeada sem preferências por cardápios, e sem a sensibilidade dos apreciadores de vinho.
Há um grave problema em se viver assim: quem muito rápido come, ou se engasga, ou então regurgita tudo que foi ingerido. Quando eu me engasgar com a vida, e começar a sufocar, será que irei morrer? Quem poderá me salvar dela? Do seu aspecto de morte, que apesar de ser antítese é verdadeiramente existente?
Talvez seja preferível vomitá-la, pôr para fora tudo que foi oferecido, mordido, misturado, modificado por sucos gástricos, cujo odor nos faz distanciar, e o gosto nos lábios marca a lembrança do nosso pecado capital. E depois que terminado todo o processo como continuar se alimentando da vida, se o mal-estar permanece na memória durante um tempo indefinido? Como, se na retina fica gravada a imagem daquilo, que modificado, nem parecia mais vida? Começamos então a rejeitar tudo que nos é oferecido, enjoamos, e apesar da fome, não é possível comer... Ainda não me decidi se é melhor sufocar ou morrer de fome. Reeducação alimentar não foi uma possibilidade cogitada.

sábado, 22 de setembro de 2012

Testemunho de uma suicida


Quando dei por mim, já havia pulado o precipício; foi naquele exato momento que embriagada por seus carinhos, mãos amantes e olhos amorosos, eu te disse “acho que te amo”. Saltei, porque amor é queda, entrega e aceitação de que não se pode ser mais só. Amei-te a cada metro mais que eu caía, nunca me preocupando em como seria chegar ao chão, pois quando se ama, se cai eternamente. 

Responde-me: humanos caídos são perdoados por Deus?

Perto do ápice, conheci a desventura. Asas de melancolia brotaram em minhas costas, e entre nuvens repletas de poemas de Vinicius de Moraes, levaram-me a um horizonte cada vez mais distante de ti. Consumir-me em amor já não era mais possível, e o suicídio falhou, todavia meu peito e mente sentem profundamente as sequelas transfiguradas em saudades e tristezas que nunca se esvaem. A outra face da moeda.

“Porque tu foste pra mim
Meu amor
Como um dia de sol”

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Prece Política





Dá-me, ó Deus, um coração anarquista. Um que se consome em fogo pelas lutas do povo, e arde em ternura e solidariedade por aqueles que sofrem com a exploração dos poderosos. A Ti clamo por um peito arrebatado pela utopia libertária, combustível que impulsiona os trabalhadores aos front’s diários, e ensina a suas mãos calosas e gastas pela labuta a segurar com firmeza seu primeiro fuzil, e às suas vozes, as primeiras palavras de autonomia.
Sigo pela estrada de tijolos amarelos ansiando que o oco das minhas coronárias seja invadido por uma enxurrada de coragem e destemor próprios de todos os antigos que se foram em batalhas e dos novos que se entregam ao sonho coletivo de uma sociedade melhor. Pai, caminho e acredito que no trabalho e vitórias cotidianas, conjuntamente com meus companheiros criaremos em breve a força e a inteligência necessárias para construir um novo mundo a partir das ruínas do capitalismo.
Senhor, ao te confundir com o grande mago, espero assim Te desmitificar para descobrir-Te como complexa construção e simples humanidade, tudo pela esperança de que no fim de minha trajetória você ou qualquer outro possa dizer: foi-se crendo e lutando, pois já se havia feito uma anarquista.
Amém.

domingo, 26 de agosto de 2012

Be not afraid my heart!



Everybody is afraid to be alone I guess...
Let’s make a silent pact 

I watch your life
You watch mine
Write your existence in me
With an extremely sharp knife

You are unforgettable
So am I

Let’s connect for a moment
At least we can try

I’m not asking for eternity
I just don’t want a cold goodbye

Say my name and we’ll never be afraid again...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012


Ouço sua voz...
O timbre, a entonação, a frequência
 me dizem que é você

Mas as palavras não fazem sentido
É uma língua desconhecida...

Olho para você atentamente
Mas tudo que vejo é ausência
Uma vontade de ser

e então vejo as notas musicais
e percebo que era tudo canção

 Você canta pra mim
E eu tolamente procurando explicação.