quarta-feira, 24 de agosto de 2011

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Ontem ouvi que o universo é um grande lençol branco, e que em suas tessituras tudo se conecta. Conexões dial-up barulhentas e demoradas, pensamentos em espasmos com risco de cair o tempo todo.

Olho a tela do computador e a percebo como minha extensão eletrônica, o acesso a rede me revela as inúmeras possibilidades do conhecer, portanto, entrego-me facilmente a minha matrix doméstica.

Lembro do meu café da manhã, e penso na origem das coisas; do leite da vaca presente na manteiga e queijo, penso no animal e nas mãos humanas que passaram por aquele produto até mim, e em como amanhã isso não terá a mínima importância.

Vejo minha mãe, e calculo a incalculável profundidade de nossa relação: ela sou eu, eu sou ela, conectadas. Independente do meu nível de consciência sobre isso, por mais diferentes que sejamos, fazemos parte de uma mesma coisa. Lençóis universais.

Mas vivemos a era dos solitários: solidão como fruto de conexão, como explicar? Como pode ser real a distância?

Se estamos na mesma linha, por que não nos alcançamos? E eu sigo gritando: Corra! Corra para mim...

sábado, 13 de agosto de 2011

(O primeiro escrito)

Essa história foi esquecida há muito tempo. Poucos são aqueles escolhidos que conseguem lembrar e passar a diante, no mundo onde as imagens dizem tudo, nem todos conseguem ouvir; onde tudo é muito veloz, nem todos querem esperar; na busca da felicidade imediata, o final dessa história não convenceu, por isso se perdeu. Mas existem aqueles que fogem a norma da existência, eles vivem para perpetuar a mágica cotidiana, lembrando a todos que a história da humanidade é repleta de fantasia, caminhos, jornadas, de superação ou definição de destinos.
Mas apesar de tudo, das inúmeras tentativas de fazer o futuro conhecer sua ancestralidade, muito se perde. Grandes histórias desapareceram, inúmeras sagas deixaram de ser contadas; lágrimas foram poupadas, e também risos e esperanças.
Essa história foi esquecida há muito tempo, e só pôde ser contada novamente, hoje, porque surgiu como um sonho. Ela foi devolvida naquelas horas, em que achamos que nada fazemos, e silenciamos; sussurrada em nossos ouvidos sem que pudéssemos perceber. No entanto, quando acordamos, poucos de nós se lembraram, outros só vislumbraram imagens fugidias, mas não compreenderam o que viram. A dádiva foi momentânea. Mas a você, entrego-te escrita, eternizada num papel; até que o tempo leve-a novamente embora da minha e da sua memória e da frágil tinta que beijou essa carta.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ao meu futuro amor



que seja leve
que seja intenso
que seja breve
que seja eterno
que seja clichê
que seja moderno
que tenha gosto de chuva e cheiro de madrugada
que tenha sabor de fruta e cheiro de terra molhada.